Raising My Voice
Autobiografia de Malalaï Joya PublicadaA história extraordinária da mulher afegã que ousa falar abertamenteTradução de Edu MontesantiMalalaï Joya é a parlamentar mais jovem e mais famosa do Afeganistão, cuja valentia e visão têm conquistado adeptos internacionais. Ela tornou manchete mundial seu primeiro pronunciamento, no qual corajosamente denunciou a presença dos senhores da guerra no novo governo afegão. Ela tem falado abertamente em nome da justiça desde então, e pelos direitos a mulher no país que ama. Raising My Voice compartilha sua extraordinária história.
Nascida durante a invasão russa e passando sua juventude em campos de refugiados, Malalaï Joya descreve como, antes de tudo, tornou-se ativista política. Quando retornou ao Afeganistão, o país estava sob o domínio do Taliban, e ela dirijiu uma escola secreta para garotas. Popular parlamentar entre seus eleitores, ela recebeu apoio global quando foi suspensa do parlamento em 2007por causa de suas visões sem rodeios.
O trabalho de Malalaï Joya tem agregado prêmios e ameaças de morte na mesma medida. Ela vive em constante perigo. Em seu oprimido relato, ela revela a verdade sobre a vida no país embaraçado em guerra – especialmente para as mulheres – e fala francamente sobre o futuro do Afeganistão, um futuro que possui implicações a todos nós.Uma Flor Brota entre Pedras no Afeganistão
Há esperança para o Afeganistão? Sim, há! No país do Taliban e dos tão temidos senhores da guerra, a esperança do povo afegão encontra lugar nos seus homens combatentes e nas várias valentes mulheres. A eles, nossa admiração, solidariedade e oração; à Malalaï Joya nossas seguintes palavras de amor - apenas porque ela tem entregado sua vida, após ser expulsa do Parlamento afegão por denunciar os senhores da guerra - traficantes de droga. Joya não será jamais morta, e sua voz será para sempre a voz do seu povo
por Edu Montesanti Goldoni, Estados Unidos, 18 de maio de 2009
Versão original em inglês publicada no Nolan Chart
Uma flor brota entre pedras no Afeganistão,
não há fertilidade em sua terra,
ela não tem abrigo, nem água,
nunca conheceu o arco-íris da liberdade.
Em Cabul, só sangue derrama-se sobre ela,
de Herat, ouve-se o choro de suas crianças,
um gigante estrangeiro, o foice local, ambos tão mortais
entre as estupendas montanhas de Qandahar,
tiros são disparados de toda a parte.
Não há horizonte, não há luz do Sol sobre a flor,
ela tem sido pisada, ofendida,
tem sobrevivido sozinha,
há incomparável formosura nesta flor,
cheiro de juventude.
O sangue do seu povo,
de centenas no solo todos os dias,
em verdade alimentam-na, não podem nunca sufocar seus sonhos.
De Jalalabad, ouve-se o suspiro do papai,
sacrificado pelo quê? O mundo não sabe...
O choro das suas meninas estupradas e queimadas,
mais alto dia após dia, ela não aguenta mais isso!
Não há canção, não há tempo, não há juventude,
a invadida Cabul está desolada,
covardes usam a força humana para ganhar terreno,
tão terrível, no Ocidente, outro lado do globo,
as pessoas não sabem o que significa
tal genocídio contra a humanidade...
Mas alegre-se, Cabul,
Você foi escolhida por Alá,
uma meiga flor, cheia de graça e vigor,
cuja força vem diretamente Dele,
cuja vida diária é dada pessoalmente por Ele,
cuja admirável valentia maravilha todo o mundo
cada vez mais,
não pode ser morta.
Essa flor tem entregado sua vida,
aos mais humildes, a esperança
pisada, ofendida, amada beleza,
em todos os lugares, todas as línguas têm compaixão de sua batalha.
Cabul, esse portento, tão especialmente seu,
um amor compartilhado,
a estrela da manhã sobre você,
tem o fragor da liberdade.
Uma flor chamada Malalaï Joya,
o mundo aprendeu a amá-la,
sua luta é nossa,
sua água vem de Alá